El Niño encurta inverno e exige novas estratégias do varejo
O varejo brasileiro de vestuário e moda enfrenta um novo desafio em 2026. Além de lidar com o endividamento das famílias e a inflação que limita o consumo, o setor precisa adaptar suas estratégias comerciais à iminência do fenômeno climático El Niño. De acordo com reportagem do portal InfoMoney, o fenômeno deve provocar um inverno menos intenso e substancialmente mais curto que o usual, impactando diretamente a venda de roupas de frio.
Como o clima afeta o comportamento de compra?
Diferentemente do ano anterior, quando a influência do La Niña prolongou as temperaturas baixas e estimulou as vendas até dezembro, o El Niño deve trazer poucos dias gelados e sem continuidade. Segundo Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da consultoria Nottus, a falta de sequências frias desestimula a renovação do guarda-roupa, fazendo com que o consumidor reaproveite peças antigas.
Como o planejamento das coleções é feito com cerca de um ano de antecedência, as roupas de inverno já estão nos centros de distribuição, exigindo ações rápidas das marcas para evitar o encalhe de produtos.
Estratégias recomendadas para mitigar perdas
Apesar do inverno ameno, as projeções climáticas indicam que o outono pode registrar ondas de frio antecipadas. Esse fator tende a beneficiar o varejo em datas comerciais importantes, como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, com chances de o outono ser até mais frio que o próprio inverno.
Diante disso, especialistas recomendam que os varejistas façam um monitoramento climático de curto prazo para definir o momento exato de realizar promoções. A antecipação de liquidações ajuda a escoar o estoque de frio antes que as temperaturas subam definitivamente, enquanto a aposta em peças de meia-estação reduz a dependência de casacos pesados.
