Como o fim da patente do GLP-1 muda os supermercados

A expiração da patente da semaglutida no Brasil, ocorrida em 20 de março de 2026, abriu caminho para a popularização de medicamentos como o Ozempic e o Wegovy. No entanto, os reflexos desse marco regulatório vão além das farmácias. De acordo com uma análise publicada pela Exame, o varejo de alimentos já se prepara para uma transformação estrutural em seu mix de produtos.

Como muda o comportamento de compra do consumidor?

Dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) e da consultoria EY indicam que 66% dos consumidores brasileiros buscam maior saudabilidade, enquanto 56% desejam aumentar o consumo de itens frescos. Com a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, essa tendência ganha um componente fisiológico devido à saciedade precoce.

Estudos de painéis de consumo nos Estados Unidos apontam que lares com usuários de medicamentos da classe GLP-1 apresentam uma redução média de 5% a 6% nos gastos com supermercados, comportamento que começa a se refletir no mercado brasileiro.

Qual é o impacto no mix de produtos dos supermercados?

Apesar da redução no volume de compras, o faturamento do varejo alimentar pode se sustentar. Isso ocorre porque os consumidores tendem a substituir produtos ultraprocessados por itens de maior valor agregado, como proteínas, iogurtes proteicos e suplementos.

O segmento de produtos à base de Whey Protein, por exemplo, registrou crescimento superior a 25% entre 2021 e 2023. A projeção é de uma expansão de mais de 9% ao ano, consolidando-se como uma categoria estratégica para as margens das redes varejistas.

Quais são os desafios logísticos para o varejo?

Para se adaptar, os supermercados precisam revisar sua eficiência operacional. O aumento na demanda por alimentos frescos exige um giro de estoque mais rápido e reposições frequentes, o que pressiona o capital de giro das empresas.

Segundo os especialistas Mauricio Pela e Fábio Rosa, da A&M Performance, as redes varejistas precisarão direcionar investimentos para a adequação de infraestrutura física, expandindo áreas refrigeradas e aprimorando a logística de última milha.

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