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Como IA e a tecnologia estão redesenhando a segurança em redes de saúde

Nos últimos anos, a gestão de risco hospitalar passou por uma transição silenciosa, mas profunda: saiu do papel e da planilha e migrou para plataformas digitais capazes de captar, cruzar e antecipar dados de segurança, qualidade e conformidade em tempo real. Para redes com múltiplas unidades espalhadas pelo país, essa mudança deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar praticamente uma exigência operacional.

Não é uma percepção isolada de mercado. O setor global de tecnologia da informação em saúde já movimenta cerca de US$ 550 bilhões, segundo a consultoria Mordor Intelligence, com projeção de ultrapassar US$ 1,16 trilhão até o fim da década. No Brasil, o avanço é ainda mais expressivo em ritmo: o mercado de healthtechs teve alta de 37,6% nos investimentos em 2024, alcançando US$ 253,7 milhões – e o país já concentra 64,8% de todo o capital investido em healthtechs na América Latina, segundo o relatório HealthTech Recap, produzido pela Distrito em parceria com a Associação Brasileira de Startups de Saúde (ABSS).

Por trás desses números está um problema concreto e caro: segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 em cada 10 pacientes sofre algum tipo de dano evitável durante a assistência hospitalar, e o dano ao paciente já é considerado a 14ª maior causa de carga de doenças no mundo. Diante desse cenário, especialistas do setor apontam a automação inteligente de processos, da auditoria ao agendamento, e o analytics preditivo como algumas das principais frentes de investimento das instituições de saúde para os próximos anos.

Por que a escala é o verdadeiro desafio?

Quando uma rede hospitalar cresce seja por expansão orgânica, seja por aquisição de novas unidades, a gestão de risco enfrenta um desafio conhecido por quem já passou por isso: como manter o mesmo padrão de segurança, qualidade e compliance em hospitais que, até pouco tempo atrás, operavam com culturas, ferramentas e processos completamente distintos entre si?

Especialistas do setor costumam apontar três fatores que explicam a aceleração da adoção de IA nesse contexto:

Pressão regulatória crescente

Normas como a NR32 e exigências de acreditação (ONA, Joint Commission) demandam rastreabilidade que planilhas isoladas simplesmente não entregam em escala.

Custo do erro

Falhas de conformidade não geram apenas risco assistencial, mas também prejuízo financeiro direto, via glosas, multas e retrabalho administrativo. Hospitais que já adotaram alertas de IA para identificação precoce de sepse, por exemplo, relatam economias anuais de até US$ 1,2 milhão apenas evitando agravamentos clínicos.

Maturidade da tecnologia

Hoje, coleta de dados em campo (inclusive offline, via aplicativos móveis), geração automática de alertas e dashboards preditivos são recursos maduros e acessíveis, não mais promessas de longo prazo. Segundo o relatório Future Health Index 2025, da Philips, 85% dos profissionais de saúde brasileiros já estão otimistas com o uso de IA no setor.

É exatamente esse tipo de cenário de expansão acelerada, exigência regulatória crescente e maturidade tecnológica disponível que tem impulsionado a adoção de plataformas de gestão de risco com inteligência artificial no setor de saúde no Brasil. Um exemplo concreto disso já aconteceu dentro da maior rede hospitalar privada do país.

O case da maior rede hospitalar privada do Brasil

A Rede D’Or, hoje a maior rede de hospitais privados do país, encontrou esse desafio de perto durante seu ciclo mais recente de expansão. A resposta veio por meio de uma parceria com a Obrasoft, empresa de tecnologia especializada em gestão de risco.

Segundo informações divulgadas pela própria Obrasoft, o relacionamento entre as duas companhias começou em 2023, quando gestores das áreas de risco e manutenção da Rede D’Or entraram em contato com a empresa de tecnologia após indicações de mercado. O momento não foi por acaso: a Rede D’Or vivia um processo intenso de expansão, incorporando novas unidades hospitalares em diferentes estados do país, o que tornava ainda mais urgente a padronização de processos regulatórios entre hospitais recém-incorporados e as unidades já consolidadas.

A partir dessa parceria, a Obrasoft automatizou processos ligados à gestão de risco da rede, incluindo registros de auditorias, projetos de infraestrutura, eficiência energética e gestão de manutenção – consolidando indicadores de todas as unidades em dashboards únicos para a gestão corporativa. O case chegou a ser reconhecido no ranking 100 Open Startups, um dos principais prêmios de inovação aberta do país.

O movimento observado na Rede D’Or tende a se repetir em outras grandes operações de saúde no Brasil. Com o setor de healthtechs em expansão acelerada, exigências regulatórias cada vez mais rígidas e um custo de erro mensurável em milhões de dólares, a gestão de risco está deixando de ser tratada como uma função de compliance isolada e passando a ocupar um lugar central na estratégia operacional das instituições com dados em tempo real substituindo relatórios retroativos, e inteligência artificial ajudando a antecipar problemas antes que eles se tornem incidentes.

Este conteúdo foi produzido com base em dados públicos da Organização Mundial da Saúde, Mordor Intelligence, HealthTech Recap (Distrito/ABSS), Future Health Index 2025 (Philips) e em informações públicas divulgadas pela Obrasoft sobre o case Rede D’Or (fonte).

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