O avanço acelerado do comércio eletrônico transformou profundamente a rotina de consumo dos latino-americanos. Se, por um lado, a comodidade de receber pacotes em poucas horas revolucionou o mercado, por outro, o aumento no tráfego de entregas trouxe à tona um desafio ambiental sem precedentes: como manter a expansão acelerada dos negócios sem que isso se reverta em uma alta descontrolada nas emissões de gases de efeito estufa?
Para se ter uma ideia do tamanho desse impacto, o período da pandemia de Covid-19 foi um divisor de águas. No Brasil, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as vendas online movimentaram expressivos R$ 450 bilhões entre 2019 e 2022. Em comparação, o período de 2016 a 2019 havia registrado R$ 178 bilhões arrecadados. Esse faturamento recorde e a consequente circulação maciça de vans logísticas pelas ruas do continente acenderam o alerta de grandes companhias de e-commerce sobre a necessidade urgente de investir em práticas sustentáveis aplicadas à logística.
Nesse cenário, o Mercado Livre — líder no segmento de comércio eletrônico na América Latina — adotou uma postura ativa de descarbonização de suas operações, provando que a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) é indissociável da eficiência operacional de longo prazo. A transição para uma logística limpa é complexa, mas se sustenta em um ecossistema multifacetado que combina a expansão acelerada da eletromobilidade, a adoção estratégica de combustíveis alternativos como o biometano e a transição das instalações físicas para fontes de energia renovável.
A expansão da frota elétrica na América Latina
Para neutralizar o impacto ambiental do transporte, especialmente nos processos de primeira milha (recebimento e transferência de mercadorias) e última milha (a entrega final até a porta do consumidor), o Mercado Livre tem feito investimentos significativos em veículos elétricos movidos a bateria. Os benefícios ambientais dessa tecnologia são muito claros: os veículos elétricos destinados à companhia geram uma redução que varia de 50% a 85% na emissão de dióxido de carbono ((CO_{2})) quando comparados com os modelos convencionais a combustão.
Essa transição vem sendo desenhada de forma robusta e acelerada nos últimos anos:
- A marca histórica inicial: Logo nos primeiros anos desse plano estruturado de descarbonização, a empresa obteve destaque ao consolidar uma das maiores frotas de mobilidade sustentável da região, ultrapassando a barreira de 1.000 veículos elétricos rodando pelas vias latino-americanas.
- O salto recente para 2.800 veículos: O avanço continuou de forma consistente e a frota elétrica do Mercado Livre atingiu a marca de 2.800 veículos movidos a bateria em toda a América Latina. Esse volume representa um crescimento notável de 20% em relação aos indicadores do ano anterior.
- O papel de liderança do Brasil: Por concentrar mais da metade da operação logística global da companhia, o Brasil assumiu a dianteira desse movimento. O país passou a contar com mais de 1.300 veículos elétricos ativos em suas rotas de entrega (mais precisamente, 1.346 veículos), apontando uma evolução de 30% em relação aos indicadores do ano anterior.
Apesar desse sucesso, as especificidades territoriais exigem inovação contínua. Afinal, a mobilidade puramente elétrica ainda encontra desafios em rotas extensas de transferência de longa distância.
Biometano e biocombustíveis: soluções pragmáticas para médias e longas distâncias
Embora a eletrificação seja o modelo perfeito para as entregas urbanas capilares (última milha), as limitações tecnológicas ligadas à autonomia das baterias e à infraestrutura de carregamento de veículos elétricos pesados em rodovias de longa distância exigem estratégias de transição diversificadas. No Brasil, onde os gargalos de infraestrutura de recarga elétrica para rodovias ainda são expressivos, o Mercado Livre encontrou nos combustíveis de transição e biocombustíveis uma rota pragmática e altamente eficiente para “vender mais com menos impacto”.
O foco tem se voltado fortemente ao uso do etanol e do biometano. O biometano é um biocombustível gasoso obtido a partir da purificação do biogás — gerado pela decomposição de resíduos orgânicos. Trata-se de uma solução circular perfeita: o lixo gerado nas cidades e na agropecuária é transformado em combustível limpo para abastecer caminhões de carga e carretas que cruzam o país.
Essa estratégia híbrida (frota elétrica integrada ao uso inteligente de biocombustíveis e combustíveis alternativos) gerou resultados incontestáveis nos balanços de sustentabilidade do Mercado Livre:
- 218 milhões de entregas sustentáveis: No último período consolidado relatado pela empresa, a plataforma de e-commerce alcançou a marca de 218 milhões de envios realizados por meio de rotas com emissões reduzidas.
- Frota de baixas emissões expressiva: Para atingir essa eficiência de entrega, o Mercado Livre colocou em circulação uma frota de 17.500 veículos de baixas emissões — sendo que, desse total, impressionantes 13.000 veículos são movidos a combustíveis alternativos. Esses veículos rodaram por mais de 2,3 milhões de rotas.
- Emissões evitadas: Graças ao investimento massivo em mobilidade elétrica e transição energética nos modais de transporte, a companhia conseguiu evitar que 32.000 toneladas de dióxido de carbono equivalente ($CO_2e$) fossem lançadas na atmosfera.
A transição energética das instalações físicas
Descarbonizar a logística de um gigante do e-commerce não envolve apenas o deslocamento dos veículos pelas ruas; é preciso também limpar a matriz energética que mantém acesos, refrigerados e em pleno funcionamento os enormes centros de distribuição e galpões de triagem espalhados pelo continente.
Atualmente, 51% de todos os escritórios e centros logísticos operados pelo Mercado Livre na América Latina já são integralmente abastecidos por fontes de energia 100% limpa e renovável, tais como as fontes solar, eólica e biomassa.
Esse compromisso de infraestrutura verde segue em ritmo acelerado de expansão. Apenas nos últimos doze meses reportados, nove novos centros de distribuição da companhia migraram integralmente para o fornecimento via energia limpa. O resultado direto dessa simples mudança estrutural de fornecimento de eletricidade evitou o equivalente a mais de 12.000 toneladas de $CO_2$ equivalente na atmosfera no mesmo período.
Rumo a uma cadeia de suprimentos colaborativa e sustentável
Os dados reais mostram que é plenamente possível desacoplar o forte crescimento de vendas de uma operação de comércio eletrônico das suas emissões diretas de carbono. No entanto, para que essa transição de fato ganhe escala e se torne definitiva no mercado regional, é necessária a construção de pontes estruturadas.
Essa agenda ESG precisa ser construída de forma amplamente colaborativa. Os avanços socioambientais e os ganhos sistêmicos de redução de emissões serão substancialmente mais consistentes na proporção em que todo o ecossistema de fornecedores e prestadores de serviços de transporte evoluir de forma conjunta. O compromisso do Mercado Livre em implementar veículos elétricos, apostar nos biocombustíveis e consumir energia renovável estabelece um padrão de excelência para a concorrência e impulsiona o mercado de fornecedores de energia limpa do continente a se desenvolver mais rápido.
Ao aliar eficiência com preservação e ao comprovar resultados de mitigação com dados transparentes, a transição sustentável deixa de ser um discurso corporativo intangível e se concretiza como um modelo viável, lucrativo e urgente de negócios.
Fontes:
Mercado Livre expande frota elétrica na América Latina
Link: https://publicacoes.estadao.com.br/melhores-servicos/2024/mercado-livre-expande-frota-eletrica-na-america-latina/
No Mercado Livre, vender mais com menos impacto passa por frota elétrica e a biometano
Link: https://exame.com/esg/no-mercado-livre-vender-mais-com-menos-impacto-passa-por-frota-eletrica-e-a-biometano/
Com 1.000 veículos, a empresa consolida uma das maiores frotas de mobilidade sustentável da região
Link: https://sustentabilidadmercadolibre.com/pt/blog/mercado-livre-aumenta-sua-frota-eletrica-na-america-latina