O Mercado Livre prevê a abertura de 28,2 mil novos postos de trabalho na área de logística no Brasil ao longo de 2026.
Com a expansão, a companhia estima chegar a 78,1 mil trabalhadores em sua operação logística no país até dezembro, contra aproximadamente 49,8 mil em 2025 — um crescimento superior a 50%.
O movimento faz parte de um plano de expansão mais amplo. Em março, a companhia anunciou um investimento recorde de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, valor 50% superior ao aportado no ano anterior.
Entre os principais destinos dos recursos está justamente o fortalecimento da infraestrutura logística, incluindo a inauguração de 14 novos Centros de Distribuição Fulfillment, que levarão a rede da empresa a 48 unidades no país.
Mais do que um anúncio de contratação, a movimentação oferece um retrato de como a infraestrutura necessária para sustentar o crescimento do comércio eletrônico está sendo ampliada no Brasil — combinando novos centros de distribuição, tecnologia, inteligência artificial e uma força de trabalho cada vez maior.

Uma expansão que acompanha o crescimento do comércio eletrônico
A estratégia do Mercado Livre ocorre em um mercado que continua ampliando sua participação no consumo brasileiro.
Segundo dados citados pelo InfoMoney, o comércio eletrônico movimentou mais de R$ 235 bilhões no Brasil em 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).
Nesse contexto, a logística passa a ocupar uma posição cada vez mais estratégica.
A experiência de compra não termina no momento do pagamento: prazo de entrega, disponibilidade de produtos, custo do frete e capacidade de atender diferentes regiões são fatores que influenciam diretamente a decisão do consumidor.
Patricia Monteiro de Araújo, diretora de Pessoas do Mercado Livre no Brasil, destacou justamente esse aspecto ao explicar que a redução de barreiras relacionadas à velocidade da entrega, ao frete e à disponibilidade de produtos contribui para atrair novos consumidores ao comércio eletrônico e aumentar a frequência de compra daqueles que já utilizam o canal.
A expansão da infraestrutura de distribuição acompanha, portanto, uma mudança importante no próprio funcionamento do varejo: quanto maior a expectativa por entregas rápidas, maior a necessidade de aproximar estoques dos consumidores e aumentar a capacidade de processamento dos pedidos.
14 novos centros de distribuição em 2026
As novas contratações estão diretamente relacionadas à expansão física da operação.
Ao longo de 2026, o Mercado Livre prevê inaugurar 14 novos Centros de Distribuição Fulfillment no Brasil. Com isso, a companhia deverá chegar a 48 unidades no país, um aumento de 50% em relação ao ano anterior.
Os centros de distribuição são uma peça central desse modelo.
Neles, produtos são armazenados, pedidos são separados e preparados para expedição, permitindo que a empresa organize sua operação de acordo com a localização da demanda.
Uma rede maior de centros de distribuição também permite reduzir distâncias entre estoque e consumidor em determinadas regiões, contribuindo para a estratégia de diminuir os prazos de entrega.
A expansão ajuda a explicar por que o aumento da força de trabalho acontece simultaneamente ao investimento em tecnologia. Mais capacidade física exige equipes para operar, supervisionar e manter uma estrutura logística que se torna progressivamente mais complexa.
Onde estão concentradas as novas oportunidades
Embora a expansão tenha alcance nacional, algumas localidades concentram uma parcela significativa das novas vagas.
Segundo os dados divulgados pela companhia, Cajamar (SP) lidera a lista, com 5,5 mil novos postos de trabalho. Na sequência aparecem Araçariguama (SP), com 2,5 mil, Governador Celso Ramos (SC), com 2,4 mil, Campinas (SP), com 1,6 mil, e Extrema (MG), com 930 oportunidades.
A distribuição mostra como grandes operações de e-commerce dependem de uma rede logística territorialmente distribuída.
A localização dos centros de distribuição é determinada por fatores como proximidade dos mercados consumidores, infraestrutura de transporte e capacidade de atendimento regional.
Para o setor, isso significa que a expansão do comércio eletrônico não acontece apenas dentro das grandes plataformas digitais. Ela também demanda uma infraestrutura física capaz de conectar estoques, centros de processamento e consumidores em diferentes partes do país.
Tecnologia não elimina a necessidade de pessoas
Um dos aspectos mais interessantes da expansão anunciada é a relação entre contratação e automação.
Em um momento em que inteligência artificial e robótica avançam rapidamente sobre operações logísticas, seria possível imaginar que o aumento da automação necessariamente reduziria a necessidade de trabalhadores.
O movimento anunciado pelo Mercado Livre aponta para uma realidade mais complexa.
Segundo informações divulgadas pela companhia, a operação utiliza robôs e inteligência artificial em processos como planejamento de rotas e previsão de demanda.
Essas tecnologias aumentam a eficiência da operação e permitem que os profissionais concentrem esforços em atividades consideradas de maior valor.
A tecnologia, nesse cenário, não aparece necessariamente como substituta da mão de obra, mas como uma ferramenta para ampliar a capacidade operacional das equipes.
Isso é especialmente relevante em operações de e-commerce, nas quais o volume de pedidos pode variar significativamente de acordo com campanhas promocionais, datas comemorativas e mudanças no comportamento do consumidor.
Quanto maior a escala, maior também a necessidade de sistemas capazes de prever demanda, organizar estoques, otimizar rotas e apoiar decisões em tempo real.
O perfil profissional também muda
A expansão da logística cria não apenas mais vagas, mas também novas exigências relacionadas ao perfil dos profissionais que atuam nesse tipo de operação.
De acordo com as informações divulgadas pelo Mercado Livre, as novas posições não exigem necessariamente experiência profissional anterior.
A companhia afirma buscar pessoas com senso de responsabilidade, disposição para aprender e compromisso com a melhoria contínua.
Os interessados devem ter Ensino Fundamental completo e disponibilidade para trabalho presencial.
A empresa também informa um pacote de benefícios que inclui assistência médica e odontológica, vale-alimentação, seguro de vida, bônus por excelência e licenças maternidade e paternidade estendidas, além de oportunidades destinadas a pessoas com deficiência.
O aspecto mais relevante para o setor, entretanto, está na combinação entre contratação e formação profissional.
À medida que centros de distribuição incorporam mais tecnologia, cresce também a necessidade de profissionais capazes de trabalhar em ambientes nos quais processos físicos e sistemas digitais estão cada vez mais integrados.
Uma operação logística cada vez maior
A expansão brasileira também faz parte de um movimento regional.
Em toda a América Latina, a operação logística do Mercado Livre deverá passar de 89 mil para 133 mil trabalhadores em 2026. No Brasil, que representa o principal mercado da companhia, a força de trabalho logística deverá chegar a 78,1 mil pessoas.
A relevância do mercado brasileiro também aparece nos resultados financeiros. Segundo as informações divulgadas pela companhia, o Brasil respondeu por 52,6% da receita total do grupo em 2025, com receita líquida de R$ 84,5 bilhões.
A expansão da logística, portanto, não acontece de maneira isolada. Ela está relacionada à dimensão que o mercado brasileiro adquiriu dentro da operação da companhia e à expectativa de continuidade do crescimento do comércio eletrônico.
O que o movimento sinaliza para o setor logístico
O caso do Mercado Livre mostra que a expansão do e-commerce exige investimentos simultâneos em diferentes camadas da infraestrutura.
Não basta ampliar a plataforma digital. É necessário aumentar a capacidade de armazenamento, processamento e distribuição, além de desenvolver sistemas capazes de coordenar uma operação que envolve milhões de produtos, diferentes regiões e múltiplas etapas até a entrega.
Também fica evidente que a transformação tecnológica da logística não significa simplesmente substituir pessoas por máquinas.
O avanço de robôs, inteligência artificial e sistemas de previsão cria novas formas de interação entre tecnologia e profissionais, especialmente em operações de grande escala.
Para operadores logísticos, varejistas e empresas que dependem de redes próprias ou terceirizadas de distribuição, esse movimento oferece uma referência importante: competitividade logística depende cada vez mais da capacidade de integrar infraestrutura física, tecnologia e pessoas.
Uma expansão que vai além das 28 mil vagas
As 28,2 mil novas posições representam apenas uma parte do movimento anunciado.
O investimento de R$ 57 bilhões, a abertura de 14 novos centros de distribuição e a expansão da força logística para mais de 78 mil trabalhadores mostram que o Mercado Livre está ampliando simultaneamente sua capacidade física e operacional no Brasil.
O movimento também evidencia uma característica importante da nova logística do comércio eletrônico: velocidade de entrega, disponibilidade de produtos e eficiência operacional dependem de uma infraestrutura cada vez mais sofisticada.
Para o mercado brasileiro, a expansão funciona como um indicador de que a logística continuará ocupando uma posição estratégica na evolução do varejo digital.
E, à medida que o comércio eletrônico aumenta sua participação no consumo, investimentos em centros de distribuição, automação, inteligência artificial e qualificação profissional tendem a se tornar cada vez mais importantes para sustentar essa escala.